A vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições de 2026 foi seguida por publicações de empresas e instituições que anunciaram a suspensão de doações e de ações sociais, em protesto contra a derrota de Flávio Bolsonaro (PL). Influenciadores também passaram a defender que empregadores deixem de contratar pessoas de esquerda ou demitam funcionários que apoiaram o petista.
Em comentários, usuários sugerem justificar os desligamentos como cortes de gastos e chegam a defender a demissão de nordestinos.
Os comunicados sobre a interrupção de iniciativas sociais apresentam justificativas diferentes, que vão da necessidade de reduzir despesas à insatisfação com a dependência de benefícios governamentais. As publicações passaram a circular no contexto da repercussão do resultado eleitoral e do debate sobre os efeitos da polarização política nas relações sociais e profissionais.
Uma sorveteria do interior de São Paulo anunciou que deixará de promover ações envolvendo doações de cestas básicas, brinquedos e outras formas de assistência. No comunicado, a empresa afirmou estar cansada de ajudar os que, segundo o texto, “se dizem necessitados”, mas “preferem viver dos auxílios do governo”.
A marca também relembrou que, ao longo de 12 anos, participou de iniciativas sociais com doações de cestas básicas, agasalhos e brinquedos e pediu desculpas às organizações e aos projetos que apoiava. A publicação foi posteriormente apagada.
Uma gráfica de Joinville, em Santa Catarina, também anunciou a suspensão por tempo indeterminado de apoios, patrocínios, doações e participações em ações sociais. A empresa afirmou que sua prioridade passaria a ser a manutenção das operações e a sustentabilidade do negócio. No comunicado, estabeleceu janeiro de 2032 como previsão para reavaliar a decisão. A publicação também saiu do ar.
Outra empresa que divulgou um anúncio semelhante afirmou que precisará reduzir as contribuições por dificuldades financeiras. “A conta precisa fechar. E, neste momento, ela não está fechando como antes”, diz a publicação. O texto argumenta que a revisão de despesas é necessária para manter o negócio funcionando, preservar empregos e cumprir compromissos.
Vários dos textos se repetem entre as publicações.
Ameaças de demissão por posicionamento político
A repercussão eleitoral também chegou às relações de trabalho. Em publicações nas redes sociais, empresários e influenciadores que apoiam Flávio Bolsonaro defenderam que empregadores evitem contratar pessoas de esquerda.
Um exemplo é o influenciador Gabriel Souza, que, por meio de uma publicação no Instagram, perguntou se “Você, que é empresário, já demitiu seu funcionário que fez o ‘L’ hoje?”. Além disso, disse que se você tem um funcionário que fez o ‘L’, ele te odeia”.
Via O Povo





