Duas cidades da Região Metropolitana de Fortaleza (RMF) estão entre as dez do Brasil a antecipar a vacinação contra a chikungunya no SUS. A aplicação-teste do imunizante, inédito no país, tem início previsto para 11 de março em Maranguape e Maracanaú.
A vacina contra a chikungunya (IXCHIQ) está sendo implementada em caráter piloto, já que o Ministério da Saúde (MS) dispõe de quantidade limitada de doses. Por enquanto, é destinada à população de 18 a 59 anos, com algumas contraindicações (confira abaixo).
A escolha de Maranguape, por exemplo, se deu pelo perfil populacional. A cidade tem pouco mais de 105 mil habitantes, e a intenção do MS é promover a “imunidade de rebanho” para testar o impacto da proteção. É a segunda vez que o local recebe uma vacinação-piloto neste ano. A primeira foi em janeiro, com a vacina da dengue.
Cleonice Caldas, secretária de Saúde de Maranguape, estima que o município tem cerca de 60 mil moradores dentro do perfil da vacina, mas acredita que deve receber “de 25 mil a 30 mil doses” nesse momento. “Ainda não sabemos a quantidade exata, teremos uma reunião com o ministério para definir essas questões”, pontua.
De acordo com o MS, os municípios que receberão as doses da vacina contra a chikungunya foram definidos de acordo com os cenários epidemiológicos, logísticos e operacionais. Maracanaú, segundo cearense incluído na fase de teste, tem 234 mil habitantes.
Em 2025, Maranguape registrou 205 notificações de casos de chikungunya; e Maracanaú, 645 notificações. Os dados são do Integra SUS, plataforma da Secretaria Estadual da Saúde (Sesa).
A vacina contra a chikungunya, desenvolvida pelo Instituto Butantan em parceria com uma farmacêutica franco-austríaca, será aplicada em dose única. Ela foi aprovada por agências regulatórias internacionais e pela Anvisa, em abril de 2025.
Durante a vacinação piloto da dengue, no início do ano, Maranguape utilizou os 35 postos de saúde da cidade para a imunização. Além disso, Cleonice lista que a gestão instalou um drive-thru, postos móveis em supermercados e indústrias, e realizou a aplicação “casa a casa” com equipes extras.
“Esses projetos-pilotos têm que ser feitos em poucos dias, normalmente duas semanas, vacinando um volume considerável. Já temos as estratégias, serão as mesmas da dengue, quando vacinamos quase 25.600 pessoas”, destaca a gestora.
Quem pode tomar a vacina da chikungunya
O público-alvo da vacina da chikungunya, neste momento, é a população de 18 a 59 anos, mas há algumas exceções, de acordo com o Ministério da Saúde. A vacina é contraindicada para:
- Gestantes;
- Lactantes;
- Imunocomprometidos ou imunossuprimidos;
- Pessoas com alergia a algum componente da vacina.
Durante a estratégia piloto, pessoas acima de 60 anos também não devem receber a vacina. “Esta orientação encontra base em um sinal de segurança publicado pela FDA e EMA, para possível exacerbação de doença crônica após a vacinação neste público”, explica o MS.
FDA (Food and Drug Administration) é a agência federal do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos EUA. Já a EMA é Agência Europeia de Medicamentos, que avalia e controla medicamentos na União Europeia (UE).
Vacina da chikungunya no SUS
A incorporação da vacina da chikungunya no SUS ainda está em avaliação e, quando ocorrer, será feita de forma gradual em todo o país, segundo informa o Governo Federal.
O imunizante foi desenvolvido pelo Instituto Butantan em parceria com a farmacêutica franco-austríaca Valneva, e é a primeira vacina contra a doença a ser registrada no mundo, conforme o instituto.
A vacina é produzida com tecnologia de vírus atenuado, e “induz a produção de anticorpos sem causar a doença e com poucas reações adversas”, segundo informa o Butantan.
Os resultados de imunogenicidade (capacidade de induzir uma resposta imune) do ensaio clínico de fase 3 feito no Brasil foram:
- 100% em adolescentes com infecção prévia;
- 98,8% em adolescentes sem contato anterior com o vírus;
- 98,5% em adultos e idosos.
Durante os testes, feitos no Brasil e nos Estados Unidos, não foi registrado nenhum evento adverso grave.
Prevenção de dengue, zika e chikungunya
Apesar da chegada de vacinas importantes para frear a disseminação das arboviroses no Ceará e no Brasil, medidas sanitárias de proteção individual continuam sendo fundamentais, como lista o Ministério da Saúde:
- Cobrir os reservatórios e qualquer local que possa acumular água, com telas/capas/tampas, impedindo a postura de ovos do mosquito Aedes aegypti;
- Vistoriar quintais e remover recipientes, garrafas, pneus e outros objetos que possam acumular água da chuva;
- Limpar calhas e bebedouros de animais para evitar a proliferação de larvas do mosquito;
- Receber bem as equipes de agentes de combate às endemias durante as visitas domiciliares;
- Intensificar a proteção contra picadas de mosquito, principalmente ao longo do dia, pois o Aedes aegypti é mais ativo;
- Organizar mutirões de limpeza, manejo de resíduos e monitoramento de focos do Aedes aegypti (gestores e população).
A secretária Cleonice Caldas reforça que “a vacina traz a proteção coletiva, mas o combate aos criadouros é importantíssimo”.
“Nossa vigilância epidemiológica é bem ativa, temos parcerias com outras secretarias para fazer coleta de lixo, limpeza de quintais, informar a população sobre acondicionamento adequado de lixo, cobertura de caixas d’água, pneus e limpeza de quintas”, destaca.




