POLÍCIA – Secretária é suspeita de envenenar médico por 15 meses para encobrir desvio de dinheiro


Arsênio era misturado à comida e à água de coco servidas na clínica.

Um cardiologista de 90 anos foi envenenado com arsênio durante pelo menos 15 meses dentro da própria clínica no Espírito Santo, segundo investigação do Ministério Público do Estado (MP-ES). A história foi apresentada no Fantástico, da TV Globo, exibido nesse domingo (22), e aponta como principal suspeita a secretária Bruna Garcia, presa desde outubro e acusada de tentar matar o médico para ocultar o desvio de mais de meio milhão de reais.

De acordo com o MP-ES, o envenenamento começou quando as irregularidades financeiras passaram a ser descobertas. A suspeita, que trabalhava na clínica desde 2013 e é filha de uma ex-funcionária do cardiologista, tinha controle das finanças do médico, que não utilizava ferramentas digitais como o pix.

A investigação aponta que o arsênio era misturado à comida e à água de coco servidas na clínica. Durante o período, o médico apresentou dores intensas, vômitos com sangue, anemia profunda, fraqueza nas pernas e agravamento dos sintomas da doença de Parkinson. Em razão do quadro de saúde, ele encerrou as atividades do consultório mantido havia mais de 30 anos.

Arsênio escondido em depósito

A suspeita de envenenamento surgiu após a demissão da secretária, quando uma funcionária encontrou um frasco de arsênio escondido em um depósito. A perícia enfrentou dificuldades para comprovar a ingestão da substância meses depois, já que o arsênio é eliminado rapidamente do sangue e da urina.

A confirmação veio por meio da análise de fios de cabelo do cardiologista. Segundo a perita Mariana, o exame identificou a presença da substância mesmo três meses após a interrupção da exposição. O laudo apontou que o envenenamento ocorreu por, no mínimo, um ano e três meses.

A polícia também apurou que o veneno foi comprado em nome do marido de Bruna Garcia. Ele foi investigado, mas os peritos concluíram que ele não tinha conhecimento do uso de seus dados para a aquisição do produto.

Suspeita vai a júri popular

Bruna Garcia deve responder por tentativa de homicídio qualificado e será submetida a júri popular. A defesa, representada pelo advogado James Gouveia, nega as acusações. Segundo ele, o laudo que comprova o envenenamento não demonstra autoria e sustenta que a movimentação financeira era de conhecimento e autorização do médico.

Victor Murad segue em recuperação em casa. Em entrevista exibida pelo programa, afirmou que tratava a secretária como filha e declarou que se sentiu traído ao descobrir o caso.

Asa Branca News via DN

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