A universitária Isabelle Caracristi, de 22 anos, não estava grávida quando morreu. Perícias foram feitas no corpo da jovem e a gestação foi descartada.
A informação foi dada pelas advogadas da família da vítima na noite desta segunda-feira (21), após um dia de oitivas no 2º Distrito Policial, em Fortaleza.
Uma das testemunhas ouvida foi a mãe da estudante de Direito, a professora Isorlanda Caracristi. O depoimento dela durou cerca de quatro horas.
As advogadas Patrícia Viana e Adriana Alves concederam entrevista na saída da delegacia e destacaram que “até o momento não existe essa confirmação de suicídio. Tudo está sendo posto no inquérito, as investigações estão acontecendo, estão em andamento”.
“Hoje foi um dia muito difícil, vários depoimentos, várias informações que vão chegando, novos depoimentos ainda vão ser colhidos, as diligências estão acontecendo ainda, não podemos dar muitas informações para não prejudicar. A família está muito emotiva. Já foi descartada a gravidez”.
A reportagem apurou que nesta segunda-feira foram apresentados aos investigadores áudios de conversas de amigos e familiares de Isabelle.
QUEM ERA ISABELLE CARACRISTI
Isabelle foi encontrada morta no último domingo (13), no Condomínio La Piazza, no bairro Aldeota. A Perícia Forense do Estado do Ceará (Pefoce) informa que nela foram encontradas “lesões no corpo compatíveis com o impacto contra o solo”. A reportagem apurou que ela caiu do rooftop do prédio, localizado no 23º andar.
Imagens de câmeras de segurança obtidas com exclusividade pela editoria de Segurança do Diário do Nordeste mostram que o namorado da estudante e a mãe dele não estavam no prédio quando a universitária morreu.
As câmeras dos espaços compartilhados do edifício residencial mostram que, às 18h32, o namorado da estudante vai até a portaria do prédio. A reportagem apurou que, logo em seguida, o namorado e a mãe dele saem em um carro.
Isabelle continua no prédio e, às 19h12, é vista dentro do elevador, sozinha, com o celular na mão, a caminho do rooftop, no 23º andar.
Às 20h40, é registrada a queda e o impacto do corpo de Isabelle contra o solo
Uma patrulha do Batalhão de Policiamento Turístico (BPTur) foi acionada e chegou ao prédio às 20h51. Dois moradores presenciaram o momento em que a jovem morreu, conforme apurou o Diário do Nordeste.
Após a confirmação do caso, a Perícia Forense do Ceará (Pefoce) foi acionada e realizou os levantamentos periciais no local.
Cerca de duas horas depois da queda, às 22h48, o namorado retorna ao prédio.
A reportagem também apurou que não havia sinais de luta corporal dentro do apartamento.
A Polícia Civil do Estado do Ceará (PCCE) anunciou que pretende ouvir oito pessoas. Destas, quatro já tiveram depoimentos colhidos, enquanto as demais têm oitivas agendadas.
Além disso, a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS-CE) informou, em nota, que imagens de câmeras estão em análise.
Exames laboratoriais realizados tiveram resultado negativo para substâncias de interesse toxicológico. Exames periciais complementares estão sendo realizados pela Pefoce.
A SSPDS disse ainda que a PCCE e a Pefoce têm empreendido esforços para elucidar o caso. Somente após a finalização dos trabalhos, será possível concluir a dinâmica da morte.
NAMORADO É PROCURADO
O bacharel em Direito João Munhoz Neto, de 34 anos, permanece sendo procurado pela Polícia Civil do Ceará (PCCE). Até a publicação dessa matéria ele ainda não havia comparecido à Delegacia para prestar esclarecimentos.
O casal se relacionava há poucos meses. João não tinha inscrição na Ordem dos Advogados Do Brasil (OAB) e saiu do escritório onde atuava há cerca de um mês, por supostamente “querer montar um escritório semelhante”. Isabelle também teria saído do emprego na mesma época.
Até então, ele e Isabelle atuavam no mesmo escritório, tendo a universitária entrado no local após concorrer a uma vaga para estágio.
A mãe do João é servidora da Secretaria da Administração Penitenciária (SAP), exercendo cargo de confiança, mas sob afastamento desde o último mês de agosto, por motivos de saúde.
A reportagem tentou contato com a defesa de Munhoz, que preferiu não se posicionar.
Via Diário do Nordeste




