O transporte público de Fortaleza enfrenta um cenário desafiador para manter o ritmo de renovação da frota de ônibus em 2026. O problema é provocado pelas alterações na venda de combustíveis a partir da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã e pela queda na demanda em trajetos simples no dia a dia.
Barreira explicou que o equilíbrio financeiro do sistema de Fortaleza, antes projetado com o auxílio da isenção de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) pelo Governo do Estado e o reajuste tarifário da Prefeitura (de R$ 4,50 para R$ 5,40), foi desestabilizado pela conjuntura internacional.
“Tivemos uma coisa não prevista que era essa questão da guerra, e com os preços dos combustíveis disparando como foi”, disse, ressaltando que os custos operacionais fugiram do controle.
Somado a isso, o sistema municipal enfrenta uma perda de demanda qualificada de cerca de 10% no último ano, principalmente de passageiros que realizam trajetos curtos e migraram para o transporte individual. Isso reduziu a arrecadação necessária para novos investimentos.
Dimas Barreira afirmou que o serviço de transporte público “precisa ser oferecido como uma infraestrutura da cidade e depender cada vez menos da tarifa pagante”.
Ar-condicionado nos ônibus
Apesar das barreiras financeiras, a climatização da frota é defendida pelo Sindiônibus como um processo em estágio consolidado na capital cearense. Atualmente, cerca de 85% dos ônibus em circulação têm ar-condicionado, afirma Dimas, com prioridade para as linhas de maior tempo de deslocamento.
O presidente do sindicato das empresas diz que a maior parte da experiência do usuário hoje ocorre em veículos climatizados, mesmo que o passageiro utilize uma linha integrativa curta sem o equipamento antes de acessar uma linha troncal refrigerada.

Sobre as queixas de mau funcionamento, ele assegura que o sistema regular não permite a circulação de veículos com ar-condicionado quebrado, embora falhas mecânicas possam ocorrer.
“Se isso acontecer [ar-condicionado quebrado], os veículos têm que voltar para a garagem para abrir a janela e voltar a operar, porque os ônibus têm que sair com as janelas lacradas […] Problemas mecânicos são parte da nossa rotina, mas é para ser exceção”, pontua.
Integração entre sistemas
No evento de quinta-feira, foi assinado um acordo de cooperação técnica entre Prefeitura, Governo do Ceará e Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) que prevê uma série de estudos voltados à integração do transporte metropolitano em um período de 36 meses.
Entre eles, a análise do estudo de pagamento de tarifa única de ônibus e metrô para se deslocar entre Fortaleza e a Região Metropolitana. Conforme o presidente da Empresa de Transporte Urbano de Fortaleza (Etufor), George Dantas, existem pesquisas avançadas em relação à unificação.
O projeto-piloto com esse objetivo está em estágio final de desenvolvimento, com “95% de amadurecimento” e Dantas assegurou que a novidade deve ser divulgada “nos próximos meses”.
O presidente do Sindiônibus afirmou que a conectividade tarifária é fundamental para a mobilidade da Região Metropolitana e que já acontece por meio do Bilhete Único Metropolitano (BUM), que dá desconto de R$ 2 na integração entre o sistema urbano e o metropolitano.
“As regras vão ser definidas por quem contrata, e as empresas vão dar suas contribuições para que isso seja feito de uma maneira que funcione da melhor forma”, disse. “É um valor arbitrado, definido pelo contratante. Pode ser R$ 3 ou R$ 4, não foi atualizado. Teve muita inflação de lá até aqui. Caberia hoje uma atualização de valor, mas ele [BUM] é uma questão de integração tarifária”, explica.
Dimas acrescenta que a integração já acontece de forma “natural”, uma vez que onde algumas linhas metropolitanas chegam e têm desembarque, principalmente no Centro de Fortaleza, há linhas urbanas “esperando e vice-versa”.
Em relação ao sistema metroviário, ele diz que a junção da linha Sul do Metrofor — que liga Fortaleza a Maracanaú e Pacatuba — com os coletivos da Capital “tem algumas coisas a discutir”. O próprio Bilhete Único Metropolitano pode ser uma ferramenta para a integração, mas é algo que tem que ser pensado e discutido criteriosamente para que o ônibus continue cumprindo papel complementar, comenta Dimas Barreira.
“Tem aí uma questão de planejamento a ser pensado, porque estamos tratando de dois sistemas saturados. O de Fortaleza precisa se preparar se for receber ou passar a ter uma demanda maior do que já acontece naturalmente. A Linha Sul da mesma forma, se você pegar os horários de pico, é também um sistema saturado”, cita.
Asa Branca News via DN





