ENERGIA – Quanto a conta de luz pode ficar mais cara no Ceará após reajuste da Enel em 2026?


Conselho dos Consumidores questiona salto de reajuste.

O reajuste anual de energia elétrica da Enel Ceará ocorrerá no próximo dia 22 de abril e valerá para a conta do mês de maio. O aumento médio pode chegar a 5,78%, conforme estimativa apresentada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) na Nota Técnica nº 54/2026.

Para consumidores residenciais, a alta média prevista é de 4,67%. Já os de alta tensão devem enfrentar reajuste médio de 9,61%. Os percentuais, contudo, só serão confirmados no dia 22 de abril.

Quanto o consumidor residencial pagará a mais se o reajuste for de 4,67%? Veja simulações

O percentual do reajuste será informado oficialmente no dia 22 de abril de 2026.

Econômico

R$ 150,00

R$ 157,00

R$ 7,00

Intermediário

R$ 350,00

R$ 366,34

R$ 16,34

Alto Consumo

R$ 800,00

R$ 837,36

R$ 37,36

Em nota, a Aneel afirma que só terá “as informações sobre o processo quando ele for deliberado em reunião pública de diretoria”.

Já a Enel Ceará disse que o percentual do reajuste tarifário é definido pela Aneel para todas as distribuidoras do País. A companhia destaca que, nos últimos dois anos, os reajustes no Ceará foram negativos (redução de 2,10% em 2025 e 2,81% em 2024).

“A companhia encaminha ao regulador as informações solicitadas, cabendo à agência o cálculo e a definição das tarifas”, informou a distribuidora.

Conselho dos Consumidores questiona salto de reajuste zero para quase 6%

O percentual gerou questionamentos do Conselho de Consumidores da Enel Ceará. Segundo o presidente da entidade, Erildo Pontes, a Aneel havia sinalizado, em documentos sigilosos, semanas atrás, que o reajuste seria zerado.

Essa projeção se baseava em dois fatores. O primeiro era um diferimento tarifário de R$ 586,89 milhões, mecanismo pelo qual os consumidores cearenses anteciparam, em 2025, o pagamento de custos da distribuidora que seriam abatidos no reajuste seguinte.

O segundo fator era o Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) negativo, indicador que mede a variação de preços e que, quando abaixo de zero, reduz os custos da distribuidora. No entanto, na segunda-feira (13), a Aneel emitiu a nota com o percentual de 5,78%, valor acima da inflação oficial do País, que fechou em 4,26%.

Entenda o reajustePara não restar dúvidas

 

 

“Estou extremamente decepcionado com a Aneel. Há umas quatro semanas, nos mandaram dados dizendo que a previsão para o reajuste seria zero. Como presidente do Conselho, estou indignado. Uma hora é zero, três semanas depois muda para quase 6%. São números extremamente difíceis de engolir”,disse Pontes.

 

Ele critica o fato de que o risco e os custos estão sendo repassados integralmente à população.

 

Que negócio maluco é esse? Não existe risco para o empresário, só para o consumidor. E para alguns consumidores, como os da classe A3 (alta tensão), o aumento projetado passa de 12%”.
Erildo Pontes

Presidente do Conselho de Consumidores da Enel Ceará

 

Questionada sobre a mudança nos documentos enviados ao Conselho de Consumidores, a agência não respondeu até o fechamento desta matéria. O Diário do Nordeste irá atualizar este texto em caso de retorno.

Especialistas apontam que a alta poderá ser mantida 

Especialistas explicam que, embora os custos da própria Enel tenham caído 1,24%, os custos da energia, transmissão e encargos, que não são controlados pela distribuidora, dispararam e anularam os créditos dos consumidores.

Marília Brilhante, diretora da Energo Soluções em Energias, destaca que o reajuste já estava “contratado” pelos custos estruturais do sistema elétrico.

 

“O aumento não vem da distribuidora Enel, e sim da energia e dos encargos. Sem o crédito do diferimento, a alta teria ultrapassado os 13%”, explica.

 

Ela ressalta que o diferimento foi um ajuste contábil, e não uma redução real de custo. Além disso, segundo a especialista, o sistema elétrico como um todo está mais caro, e esse custo estrutural superou qualquer ganho pontual de eficiência ou alívio tarifário.

Outro fator determinante é a inclusão de novos componentes financeiros, como o CVA (variação de custos de energia) e a previsão de R$ 200,6 milhões para riscos hidrológicos futuros.

Bernardo Santana, diretor de regulação de energia do Sindienergia, observa que a tarifa costuma subir acima da inflação por ser composta por diversos índices.

“Existem ainda os benefícios da conta Covid, que foi um empréstimo bilionário pago por todos os consumidores brasileiros, e o risco climático futuro — uma nova fórmula que não era considerada antigamente”, afirma Santana.

Ele cita como exemplo os eventos climáticos extremos ocorridos em São Paulo como justificativa para essa nova cobrança preventiva. “Há uma inclusão desse custo para que a população tenha que arcar com isso de forma parcelada, o que acaba elevando a nossa tarifa acima do normal”, diz.

“Ainda não é algo 100% certo. Vamos monitorar a votação da Aneel para ter os valores exatos”, conclui Santana.

 

 

Asa Branca News via DN


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