Ex-aluno de escola pública e filho de costureira, Vinícius Félix, de 19 anos “sonhou o impossível” e deve, em breve, viver um grande sonho. Natural de Paraipaba, no interior do Ceará, ele conquistou bolsas de estudos em duas universidades americanas, Stanford e Williams College, e partirá para os Estados Unidos para estudar pelos próximos quatro anos.
“Sonhar realmente é um alívio muito grande para a alma”, resume a sensação pós-aprovação.
Vinícius recebeu a notícia da aprovação nas duas universidades em março. Após alguns dias pensando, decidiu estudar em Stanford, a terceira melhor universidade do mundo.
O momento da aprovação foi capturado em um vídeo que viralizou na internet. Na cena emocionante, uma tia e duas primas de Vinícius celebram o momento junto ao jovem.
Uma rotina com 8 horas diárias de estudo
Aluno de escolas públicas durante toda a vida, Vinícius cursou o ensino médio na EEEP Flávio Gomes Granjeiro – escola pública profissionalizante de Paraipaba, a cerca de 100 km de Fortaleza.
Em 2024, concluiu o 3º ano com um diploma de Técnico de Informática. Na sequência, obteve uma aprovação na Universidade Federal do Ceará (UFC), no curso de Engenharia de Software, e outra na Universidade Federal de São Carlos (UFSCAR), em Ciência da Computação.
Após uma conversa marcante com a mãe, percebeu que, apesar das aprovações no País, um sonho ainda maior poderia ser alcançado: estudar Tecnologia fora do Brasil.

Para isso, decidiu abdicar das vaga nas universidades no Brasil e passar um ano se dedicando aos vestibulares americanos. “Essa foi a decisão mais difícil que eu fiz na minha vida até agora”, conta, em entrevista ao Diário do Nordeste.
Durante o ano de 2025, o jovem conta que “correu contra o tempo”. Estudava cerca de oito horas diárias para a prova do SAT, o principal exame de admissão para universidades nos EUA — conhecido como “Enem americano” — enquanto aprendia inglês “do zero”. “Além disso, eu me dedicava também a projetos sociais e programas internacionais para manter o meu perfil rodando entre pessoas da área”, relembra.
O estudante ainda fazia aulas com uma mentoria online voltada para aqueles que desejam se inscrever nos processo seletivos americanos.
O primeiro da família a alcançar uma vaga no ensino superior
Ser chamado de “filho de costureira” é sinônimo de orgulho para Vinícius. Apesar dos recursos limitados, a mãe nunca deixou que faltasse nada em casa, enquanto o filho se dedicava 100% aos estudos. “Eu usava isso como um objetivo para quebrar o que eu via como um ciclo de deficiência na questão educacional na minha família”, conta o jovem.
O pai de Vinícius não chegou ao ensino médio. Para a matriarca da família, a possibilidade de alcançar o ensino superior desapareceu quando ela parou de estudar, aos 14 anos. Depois de muito tempo, conseguiu concluir o supletivo.
Mas Vinícius diz que a maior pressão pelo sucesso nos estudos vinha dele próprio: “Era como se eu sentisse uma ‘síndrome do impostor’ de realmente não me achar suficiente para passar em uma universidade americana”.
Asa Branca News via DN







