O chef Julio Ritta, criador do Cozinheiros do Bem, projeto que distribui refeições a pessoas em situação de rua e vulnerabilidade social em Porto Alegre, relatou em vídeo nas redes sociais que doadores e empresários deixaram de colaborar com a iniciativa após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo ele, as mensagens recebidas afirmavam que as doações seriam suspensas porque Lula venceu a eleição e que, a partir de agora, o projeto deveria pedir ajuda ao presidente.
O segundo turno foi no domingo (25), quando Lula derrotou Flávio Bolsonaro (PL) e garantiu o quarto mandato. Depois do vídeo, Ritta publicou no Instagram a captura de tela de uma das mensagens que recebeu.
Resposta com lugar na fila
Na mensagem divulgada na noite de quarta (28), o autor chama de lixo quem votou em Lula. Ele afirma que essas pessoas mereceriam passar mais fome do que quem já passa fome e sugere que o chef peça doações ao presidente.
Ritta respondeu que só quer que as pessoas tenham o direito de pelo menos se alimentar. Disse ainda que, se um dia o autor da mensagem passar dificuldade, será bem-vindo na fila do Cozinheiros do Bem. Na legenda da publicação, o chef escreveu que seu único inimigo é a fome. O post passou de 25 mil curtidas.
Os comentários se dividem entre manifestações de apoio ao projeto e provocações com o bordão “faz o L”, usado por opositores para ironizar eleitores do presidente.
Festa de 11 anos perde apoios
Os cancelamentos atingem a comemoração dos 11 anos do Cozinheiros do Bem. De acordo com o chef, desistiram de colaborar:
- o empresário que pagaria as passagens do rapper MV Bill, atração da festa
- quem doaria a lenha
- quem doaria as grelhas para as churrasqueiras do projeto
Para cobrir parte do prejuízo, Ritta anunciou que vai rifar uma moto elétrica doada por um apoiador. O dinheiro arrecadado vai custear o show de MV Bill e as ações do projeto.
Protesto contra qualquer governo
No vídeo, Ritta afirmou que votou em Lula para impedir a vitória do bolsonarismo, e não por preferência pelo petista. Ele reforçou que o Cozinheiros do Bem funciona como um ato de protesto e cobra responsabilidade de qualquer governante, inclusive do presidente reeleito.
O chef criticou quem condiciona a ajuda a pessoas com fome ao resultado da eleição e garantiu que as ações do projeto vão continuar. Nesta quinta (29), publicou uma série de frases sobre coragem e sobre não se igualar a quem o ataca, entre elas a de que convivência não deve ser confundida com aliança.
Mais de uma década contra a fome
Criado em 2015, o projeto distribui marmitas nas ruas da capital gaúcha e ampliou a atuação durante as enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul. Ao longo dos anos, a iniciativa se manteve com doações de pessoas físicas e empresas.
Fonte: Julio Ritta, em vídeo e publicações no Instagram
Via Radio Com




