ELEIÇÕES – No Ceará, Lula diz que candidato é Elmano, critica Ciro e fala em Luzianne e Guimarães


Presidente vem ao Estado em meio a impasses para definir candidaturas.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva desembarcou no Ceará em um momento de tensão interna no Partido dos Trabalhadores (PT), que busca alinhar as estratégias para as eleições de 2026. Enquanto cumpre agenda oficial de visita ao novo campus do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), ele deve mediar conversas entre aliados que disputam vagas na chapa majoritária, especialmente para o Governo do Estado e Senado Federal.

Publicamente, ele endossou a pré-candidatura à reeleição de Elmano de Freitas, incentivou a participação do ministro Camilo Santana na campanha nacional e fez críticas a antigos aliados, como a deputada federal Luizianne Lins – que tem dando indicativos de deixar a legenda – e o ex-ministro Ciro Gomes, nome defendido pela oposição para disputar o Governo contra Elmano.

As declarações sobre as articulações políticas locais foram dadas em entrevista ao Grupo Cidade de Comunicação, na manhã desta quarta-feira (1º). Lula abordou a complexidade de definir a composição governista no Estado e mencionou que o núcleo local do PT deve resolver os impasses com diferentes alas partidárias e siglas aliadas.

Ao comentar sobre o Poder Executivo estadual, Lula mencionou que “não tenho como dar um palpite” sobre as decisões locais, mas reforçou a confiança no atual governador Elmano de Freitas, classificando-o como um “bom candidato”. Afirmou ainda que o cenário está “definido” – a menos que surja algum fato extraordinário.

Sobre Camilo Santana, o presidente descartou que o atual ministro da Educação tenha pretensões de retornar ao governo estadual agora. O ex-governador cearense já havia anunciado que a saída do MEC tinha como pretensão se dedicar ao projeto político de Lula.

O próprio presidente destacou que precisa de Camilo “viajando esse país”, tanto como um importante cabo eleitoral para a sua própria campanha quanto para o fortalecimento de novas lideranças nacionais do PT.

 

“Acho que o Camilo não tem essa pretensão [de ser governador]. Preciso do Camilo viajando esse país. Ele prestou um trabalho muito nobre [no MEC]. Elmano é um bom candidato, e estou tranquilo quanto ao Camilo, mas ele tem uma pulga atrás da orelha e quis sair”, declarou.

 

Situação de Luizianne no partido

A situação da deputada federal Luizianne Lins, que vive um período de isolamento e cogita deixar a legenda, também foi alvo de análise do presidente. Sem mencionar especificamente o nome da ex-prefeita de Fortaleza, Lula defendeu que o PT “não pode querer ter tudo” e precisa compartilhar a chapa com outros partidos aliados para garantir a governabilidade.

Segundo o presidente, embora respeite a trajetória de Luizianne, é necessário que certas figuras políticas façam “sacrifícios” para viabilizar alianças vitoriosas, pontuando que lamentará profundamente caso a deputada decida sair do partido.

 

“Nem sei que tipo de aliança estamos fazendo aqui, mas é normal que uma vaga saia para outro partido. Eu não sei se ela saiu desse cenário. Ela tem o direito [de sair] e precisa compreender a realidade política da cidade”, afirmou Lula.

 

Quanto ao líder do Governo na Câmara, José Guimarães, o presidente adotou um tom de cautela sobre sua postulação ao Senado, apesar de o deputado federal já ter declarado que estava articulando a candidatura.

Lula afirmou não saber se Guimarães terá uma vaga garantida na disputa ao Senado em 2026, justificando que a história política e a liderança do Governo podem não ser suficientes se não houver “uma correlação de forças” adequada dentro do arco de alianças que o PT cearense busca construir.

Divergências com Ciro Gomes

Por fim, Lula evitou fazer críticas diretas ao seu ex-ministro da Integração Nacional e adversário na campanha presidencial de 2022, Ciro Gomes, que atualmente articula uma frente oposicionista contra Elmano de Freitas no Estado.

O presidente descreveu Ciro como alguém “um pouco destemperado” e lembrou sua trajetória marcada por constantes trocas de partidos, afirmando que “o Ciro acha que a referência é ele, que o partido não vale nada”.

Apesar das divergências políticas e do que considera “rompantes” do pedetista, Lula disse guardar boas recordações do período em que Ciro serviu no ministério, entre 2003 e 2006, embora tenha ressaltado que o ex-governador do Ceará também se ressente por não ter tido seu apoio para chegar à presidência.

Futuro político

Sobre o cenário nacional para as eleições de 2026, Lula enfatizou que as disputas para o Senado Federal são cruciais para a manutenção do regime democrático no Brasil, embora tenha feito uma ressalva sobre o comportamento de alguns parlamentares.

O presidente observou que, enquanto um governador precisa de diálogo e apoio da Presidência para realizar ações e programas estaduais, um senador, devido ao mandato de oito anos, muitas vezes “pensa que é Deus”.

Por fim, projetando seu próprio futuro político, o mandatário confirmou a intenção de buscar um quarto mandato inédito, movido pela “ideia fixa” de que ainda é necessário avançar na resolução dos problemas da população mais pobre.

 

 

 

Asa Branca News via DN


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