POLÍCIA – Ceará lidera assassinatos puxado por guerra de facções e aumento de feminicídios


Violência de gênero, expansão de facções e a busca por novos mercados ilegais mantêm o Ceará no topo dos indicadores de violência no país. Redução de mortes violentas no Brasil foi de 11% em 2025.

O Ceará lidera o ranking nacional de assassinatos por 100 mil habitantes em 2025, segundo dados divulgados no último dia 20 pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública. O levantamento, feito pelo g1, considera crimes como homicídiosfeminicídioslatrocínios lesões corporais seguidas de morte.

No Ceará, a média é de 32,6 mortes violentas para 100 mil habitantes – mais que o dobro da taxa do Brasil, que é de 15,97%. O indicador é considerado preocupante por especialistas e vai na contramão da redução nacional, de 11% no comparativo com 2024. (veja no infográfico abaixo)

☠️Ao todo, foram registrados 3.022 assassinatos no Ceará em 2025, dos quais 96,9% correspondem a homicídios dolosos — quando há intenção de matar. Em todo o país foram 34.086 mortes violentas e a taxa nacional por 100 mil habitantes é de 15,97.

♀️Outro dado que chama atenção é o crescimento dos feminicídios. O estado registrou um aumento de 14,63%, com um total de 47 mulheres mortas no ano passado.

De acordo com pesquisadores ouvidos pelo g1, a alta taxa de mortes violentas no Ceará é resultado da sobreposição de diferentes dinâmicas de violência, com destaque para os feminicídios e os assassinatos associados à guerra entre facções criminosas. (entenda os motivos abaixo)

O Governo do Estado não divulga a estatística detalhada com as mortes ligadas à disputas entre criminosos, mas em entrevista ao g1, o coordenador da Coordenadoria Integrada e Planejamento Operacional (Copol) da Secretaria da Segurança Pública do Ceará, Harley Filho, afirma que “a ampla maioria dos homicídios no estado do Ceará estão vinculados ao conflito entre grupos criminosos rivais”.

Rosto por trás dos números

Clarissa Costa era enfermeira de neonatologia e trabalhava em hospitais públicos de Fortaleza — Foto: Arquivo pessoal

Uma das vítimas que engrossou as estatísticas de feminicídio no Ceará foi a enfermeira Clarissa Costa Gomes, de 31 anos. Ela foi assassinada com 34 golpes de facada pelo então namorado, Matheus Anthony Lima Martins Queiroz, de 26 anos. O crime foi em julho em Fortaleza e a família não se conforma com a brutalidade com que a vida da jovem foi interrompida.

“A única coisa que eu pergunto a Deus é: por que dessa forma? Porque a gente sabe que vai perder um ente da gente. Logicamente, não é natural um pai enterrar a filha, sempre é o contrário. Mas eu poderia ter perdido ela de uma forma diferente, não de uma forma tão violenta, de uma pessoa que a gente, de uma certa forma, tinha uma confiança”, lamentou Luciano Gomes, pai de Clarissa.

“Uma pessoa que chegou com um sorriso na cara, que ludibriou toda a família e apunhalou a gente pelas costas. Ele não só apunhalou minha filha, ele apunhalou a família todinha. Ele matou a família todinha. Foi 34 facadas para cada familiar que ele espalhou”, complementou.

 

Clarissa era formada em enfermagem pela Universidade Federal do Ceará (UFC), e trabalhava como enfermeira em dois grandes hospitais públicos da capital cearense: o Hospital Geral de Fortaleza (HGF) e o Hospital Dr. César Cals. A morte dela foi lamentada também por Juliette Freire, vencedora do Big Brother Brasil 2021, que era amiga de Clarissa.

Luciano disse que a morte brutal da filha tirou “o equiílibro da família”. “Ela está fazendo falta de uma forma tão agressiva quanto foi a forma dela morrer. Se Deus me desse a oportunidade de trocar minha vida pelo lado dela, eu trocaria. Eu não pensaria duas vezes. “, lamentou o pai da enfermeira.

Asa Branca News via G1

 


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