ELEIÇÕES – Ciro cita divergências com família Bolsonaro e diz que Michelle ‘humilhou’ André Fernandes no Ceará


O presidente do PSDB Ceará conversou com a imprensa nesta sexta (6), em evento de produtores rurais.

O ex-ministro Ciro Gomes (PSDB) disse, nesta sexta-feira (6), que não desistiu da aliança com o PL do ex-presidente Jair Bolsonaro no Ceará, mesmo com a interferência da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) nas tratativas. Ele lembrou o episódio que causou a suspensão das negociações com o partido, ocasião na qual ela teria, segundo ele, “humilhado” o deputado estadual André Fernandes, presidente estadual do PL e responsável pelas tratativas com o tucano.

“Todo mundo viu, a esposa do ex-presidente da República, do Bolsonaro, veio aqui, humilhou André Fernandes, que é o presidente do PL. E eu não tenho nada a ver com isso, eu fiquei quieto. Aí o PL pediu um tempo para pacificar o problema interno deles. Quem sou eu para dizer ‘não’? Dou o tempo. Está guardada aqui uma vaga para a aliança que una toda a oposição para salvar o Ceará”, disse Ciro, durante o Encontro dos Produtores Rurais do Ceará (Eproce), nesta sexta.

Em novembro, Fernandes recebeu uma “bronca” de Michelle durante o evento de lançamento da pré-candidatura do senador Eduardo Girão (Novo) ao Governo do Ceará. No discurso, a ex-primeira-dama afirmou que o deputado e seus aliados “se precipitaram” ao articular aliança com Ciro para a disputa eleitoral em 2026. “Fazer aliança com o homem que é contra o maior líder da direita, isso não dá”, ressaltou.

Em resposta, Fernandes rebateu dizendo estar “só obedecendo Bolsonaro”. Em entrevista após o evento, o deputado cearense disse que as articulações com Ciro foram autorizadas pelo ex-presidente, que teria inclusive conversado com o ex-ministro por telefone em maio. “Não aceito que venha alguém de fora dizer que é precipitado ou é errado“, afirmou.

O desgaste virou assunto de reunião emergencial na cúpula do PL, convocada na mesma época. No encontro, ficou acertada a suspensão das tratativas do PL pela eleição do ex-ministro como governador.

No último mês, o primeiro evento público de Ciro Gomes foi prestigiado por nomes do PL, como o pré-candidato ao Senado pelo partido, o deputado Alcides Fernandes. Anotações do senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato a presidente da República, indicaram também a possibilidade de apoio a Ciro. No domingo (1°), durante manifestação em Fortaleza, André Fernandes disse que não há definições.

PontoPoder buscou André Fernandes e Michelle Bolsonaro para pronunciamentos sobre a suposta humilhação a qual Ciro Gomes se referiu e sobre a esperança do tucano em ter o PL como aliado na campanha eleitoral. Quando houver resposta, a matéria será atualizada.

‘Divergências insuperáveis’

Nesta sexta, Ciro voltou a comentar o histórico de desgastes com a família Bolsonaro, por causa dos embates quando disputou a presidência da República, e a possibilidade disso repercutir no processo eleitoral de 2026.

“Talvez nossas diferenças no plano nacional sejam insuperáveis, até porque eu fui candidato a presidente do Brasil quatro vezes. As minhas opiniões sempre foram muito claras, às vezes até exageradamente claras. E se eu não tiver seriedade, coerência, respeito ao povo cearense, vamos pegar gravações do passado em que eu estava contra o Lula e contra o Bolsonaro, defendendo a minha candidatura e vão querer requentar e usar para hoje. E nós, aqui, temos que tratar com o respeito da união possível, que é salvar o Ceará do desastre que nós estamos atolados”, afirmou, ainda.

 

 

Asa Branca News via DN


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