A soldado da Polícia Militar do Ceará (PMCE) Júlia Natália Girão Gomes e o marido dela, Antoneudo Ribeiro Lima Júnior, suspeitos de envolvimento na morte do PM Raphael Sampaio, na madrugada da última terça-feira (11), em Itaitinga, foram flagrados por câmeras de segurança enquanto levavam a filha à escola, na manhã do mesmo dia. As imagens contradizem a versão da soldado, que alegou, em depoimento, ter sido mantida em cárcere e amarrada após o crime.
Conforme a gravação, Júlia e Antoneudo chegaram à unidade escolar às 7h38, no mesmo horário em que, segundo seu depoimento, a mulher estava sendo “ameaçada” depois de presenciar a morte de Raphael a tiros. Os dois saem rapidamente, enquanto a criança permanece sob os cuidados da unidade de ensino.
Ainda na terça-feira (11), a militar foi encontrada em uma zona rural na BR-116, local onde afirmou ter sido amarrada e deixada pelo marido. Antoneudo foi, inicialmente, apontado como o mandante do crime.
As primeiras informações sobre o caso apontaram que ela teria sido obrigada a assistir à morte do PM. Horas depois, antes de ser “encontrada”, ela disse ter se “desamarrado sozinha” e procurado o auxílio de um morador das proximidades da rodovia.
Os dois suspeitos permanecem presos após audiência de custódia realizada nesta quinta-feira (13), no 7º Núcleo de Custódia e Garantias, em Maracanaú.
Segundo o Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE), o flagrante dos dois não foi homologado. A soldado teve a prisão preventiva decretada pela Justiça após pedido do Ministério Público e da Polícia Civil. Enquanto isso, Antoneudo teve a prisão relaxada, mas continua preso por conta de um mandado de prisão contra ele em outro processo, que tramita em segredo de Justiça.
A soldado Júlia já responde pelos crimes de estelionato, lavagem ou ocultação de bens e por integrar organização criminosa. O marido, por sua vez, possui antecedentes por integrar organização criminosa, no âmbito de um esquema fraudulento de criação de perfis falsos em aplicativos de transporte.
O que se sabe sobre o caso?
O soldado da Polícia Militar do Ceará (PMCE) Raphael Sampaio da Silva, de 27 anos, foi morto após sair de um plantão às 2h de terça-feira (11). O corpo dele foi encontrado horas depois, quando um chamado de incêndio levou o Corpo de Bombeiros Militar e a PMCE a um veículo em Itaitinga.
No local, o policial estava vestido com a própria farda da PM e algemado. Um galão de combustível também foi encontrado, o que indicaria um incêndio criminoso e intencional, segundo documentos obtidos pelo Diário do Nordeste.
Dois PMs foram chamados à Delegacia de Homicídios, mas a terceira, Júlia Natália, não foi localizada. Em depoimento, após a situação na BR-116, a mulher disse que pediu carona a Raphael quando os dois deixavam o trabalho, no bairro Messejana, e teriam sido interceptados por criminosos.
As versões concedidas por Júlia, no entanto, começaram a perder força com o decorrer das investigações. Outro vídeo de uma câmera de segurança mostrou a mulher em uma oficina por volta das 08h52, caminhando livremente e usando a mesma vestimenta, no mesmo horário em que afirmou ter sido mantida em cárcere.
Envolvimento extraconjugal entre os soldados
Uma das linhas de investigação da morte do soldado seria vingança por uma traição. Apurações do Diário do Nordeste apontam que o PM de 27 anos teria se relacionado com uma mulher comprometida e acabou sendo atraído para a própria morte.
Nesta quinta-feira (13), Rosilane Sampaio, tia do policial, afirmou que Raphael e Júlia mantinham uma relação extraconjugal há pelo menos seis meses. “Houve, sim, uma relação extraconjugal. Infelizmente, era sabido pela gente da família, alguns poucos. Não era aceito. A gente não era conivente“, comentou a familiar, ressaltando que, ainda assim, o envolvimento não era um “motivo para a morte”.
O corpo de Raphael foi velado em uma funerária na Parquelândia, em Fortaleza, na presença de amigos, familiares e colegas de farda.
Via Diário do Nordeste





