SAÚDE – Aluno recebe alta de UTI após ser dopado por colega em escola privada de Fortaleza


Mãe detalha que o jovem continuará sendo monitorado até que se confirme a ausência de qualquer sequela.

Recebeu alta o estudante de 15 anos que estava internado em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) após ser dopado por um colega no Colégio Antares, escola particular no bairro Papicu. O adolescente, que passou cerca de quatro dias hospitalizado, passou mal, na semana passada, ao ingerir uma mistura de bebida alcoólica e medicamentos.

Em entrevista ao Diário do Nordeste, nesta quinta-feira (28), a mãe do jovem (que não será identificada para preservar a identidade da vítima) relata que ele deixou o hospital na última segunda-feira (25) e atualmente está em casa se recuperando. Apesar da liberação médica, ela detalha que o garoto sofre com dores de cabeça e continuará sendo monitorado até que se afaste a possibilidade de sequelas.

A partir de agora, o aluno segue realizando exames para avaliação do quadro de saúde, além de dar seguimento ao acompanhamento psicológico. À reportagem, a mãe afirma que, uma semana após o incidente, os pais do estudante supostamente envolvido no ocorrido não entraram em contato com a família.

“Estou no modo sobrevivência. Ainda não consegui sossegar para saber como estou me sentindo. O que tem me confortado é a presença dos familiares e amigos, a solidariedade dos colegas de trabalho, as orações daqueles que simplesmente querem nosso bem”, desabafa a mãe.

 

Questionada se o filho continuará na escola, ela afirma que está analisando a situação: “Estamos avaliando todas as possibilidades junto aos profissionais que estão acompanhando a evolução do nosso filho para decidir o que for necessário e seguro para ele”, detalha, acrescentando ainda que professores e colaboradores da instituição de ensino chegaram a visitar o garoto durante o período de internação.

Estudante suspeito foi expulso

O aluno apontado como quem ofereceu a bebida à vítima foi expulso do colégio, conforme relata a mãe. O Colégio Antares foi procurado pela reportagem para falar sobre como trata o caso, mas, em nota,  limitou-se a dizer que “medidas disciplinares internas são tratadas com responsabilidade e confidencialidade, em respeito à preservação da imagem e da integridade dos alunos envolvidos”,

Além da sanção institucional, o episódio é apurado pela Delegacia da Criança e do Adolescente (DCA), conforme a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS). Em nota, a Pasta informou que a unidade especializada realiza a escuta de partes envolvidas para tentar elucidar o caso.

Nesta quinta-feira, a mãe do adolescente disse estar satisfeita com a forma com que tem sido tratada a situação pelas autoridades. “Percebemos a seriedade, celeridade e cuidado com que está sendo tratado o caso, o que nos traz a certeza de que será dado um direcionamento justo para que não haja novas vítimas desse tipo de situação. Estamos colaborando com as investigações, certos de que o culpado será responsabilizado”, destaca.

O que aconteceu

Na última quinta-feira (21), o estudante foi encaminhado para um leito de UTI após ingerir a mistura entre bebida alcoólica e remédios, ofertada por um colega no colégio Antares, no bairro Papicu, em Fortaleza. A reportagem apurou que o coquetel era composto por vodca e anti-histamínicos, que são medicamentos utilizados para tratar crises alérgicas.

Segundo a mãe, o estudante havia oferecido a mistura ao filho sob a promessa de “desestressar” e “esquecer dos problemas”, uma vez que o adolescente estava sendo alvo de um processo de exclusão e bullying na escola.

Quando foi chamada à escola para buscar o filho, que apresentava sinais de embriaguez, a mulher ficou surpresa. “Não é uma coisa de bebida apenas. Ele estava com aquele olhar distante. Quando você chamava, ele respondia, mas, desorientado, não me reconheceu e não conseguia andar sozinho”, relatou anteriormente ao Diário do Nordeste.

‘Não se trata de pais ausentes’

A mãe também afirmou que o episódio trouxe à tona uma preocupação maior sobre os limites da vigilância familiar diante de situações que acontecem dentro do ambiente escolar. Para ela, o caso evidencia que determinadas experiências vividas pelos adolescentes escapam do controle dos pais, mesmo quando existe acompanhamento constante.

Segundo ela, o filho costumava compartilhar a rotina e nunca apresentou comportamentos que levantassem suspeitas de uso de álcool ou outras substâncias. Ela descreve o adolescente como um jovem próximo dos pais e reforça que o impacto emocional do caso atingiu toda a família.

Nas redes sociais, mensagens associando o caso à suposta negligência familiar também aumentaram o sofrimento da mãe. Ela disse ter ficado surpresa com julgamentos feitos sem conhecimento da realidade da família. “Quando vi os comentários, muitas pessoas acusavam: ‘Ah, isso é falta de acompanhamento, pais ausentes’. Isso me chocou muito porque, no nosso caso, esse discurso não se encaixa”, afirmou.

Ela reforçou também que o filho sempre foi acompanhado de perto pela família. “Ele é uma criança muito assistida. Eu levo para tudo, ligo para saber onde ele está, com quem está, converso com as mães dos colegas. Não se trata de pais ausentes”, reitera.
Asa Branca News via DN

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