POLÍTICA – MP Militar pede ao STM a perda de patente de Bolsonaro e outros quatro militares


Decisão da Suprema Corte determinou que órgão militar avaliasse eventual perda das patentes dos envolvidos em tentativa de golpe.

O Superior Tribunal Militar (STM) recebeu, nesta terça-feira (3), uma representação do Ministério Público Militar (MPM) que solicita a perda de patente do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e de outros quatro oficiais de alta patente das Forças Armadas condenados por participação em um plano de ruptura democrática.

O pedido foi formalmente protocolado no tribunal e já teve o relator sorteado, dando início à tramitação interna do processo.

Em 2025, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) condenou Bolsonaro a 27 anos e 3 meses de prisão por liderar a articulação golpista.

Na mesma decisão, a Corte determinou que o STM fosse comunicado para avaliar a eventual perda das patentes dos militares envolvidos, medida prevista na legislação castrense.

Entenda o processo

A perda de patente ocorre por meio da chamada representação por indignidade ou incompatibilidade para o oficialato, mecanismo previsto na Justiça Militar.

O procedimento só pode ser instaurado após o trânsito em julgado da condenação criminal, quando não há mais possibilidade de recursos. O objetivo da ação é avaliar se o oficial mantém condições morais e éticas para continuar vinculado às Forças Armadas.

A presidente do STM, ministra Maria Elizabeth Rocha, comentou o andamento das representações relacionadas à Ação Penal 2.668, que resultou nas condenações por tentativa de golpe.

Segundo ela, os representados serão formalmente notificados e terão prazo para apresentar defesa escrita e realizar sustentação oral. Após o sorteio, o relator abre prazo de 10 dias para a apresentação da defesa. Caso não haja manifestação, um defensor público é designado.

Em seguida, relator e revisor elaboram seus votos — sem prazo definido — e, assim que os votos estiverem prontos, o relator solicita a inclusão do processo em pauta para julgamento.

Encerrada a fase recursal, o STM comunica a decisão ao comandante da Força a que cada militar pertence. Caso seja declarada a indignidade ou incompatibilidade com o oficialato, a cassação do posto e da patente torna-se obrigatória.

“Assim que os votos estiverem prontos, eu pautarei imediatamente o julgamento. Não pretendo procrastinar, em momento algum, questões tão relevantes”, afirmou Maria Elizabeth.

A ministra destacou ainda que, em caso de perda da patente, caberá ao ministro Alexandre de Moraes, do STF, definir o local onde cada condenado cumprirá pena.

Relatores definidos

Conforme o sorteio realizado pelo STM, o caso de Jair Bolsonaro ficará sob relatoria do ministro Carlos Vuyk de Aquino, brigadeiro da Aeronáutica indicado ao tribunal pelo ex-presidente Michel Temer. A ministra Verônica Abdalla atuará como revisora.

Nos demais casos, os relatores e revisores ficaram assim definidos:

  • Almir Garnier

Relatora: ministra Verônica Abdalla

Revisor: ministro Guido Amin Naves (general do Exército)

  • General Paulo Sérgio Nogueira

Relator: ministro José Barroso Filho

Revisor: ministro Flavio Marcus Lancia Barbosa (general do Exército)

  • General Augusto Heleno

Relator: ministro Celso Luiz Nazareth (almirante)

Revisor: ministro Péricles Aurélio Lima de Queiroz

  • General Braga Netto 

Relator: ministro Flavio Marcus Lancia Barbosa (general do Exército)

Revisor: ministro Artur Vidigal de Oliveira

 

Asa Branca News via DN


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