No início do ano eleitoral de 2026, Ciro Gomes se movimenta como o principal pilar da oposição no Ceará. Com a experiência de quem já governou o Estado e disputou a presidência da República quatro vezes, o ex-ministro, filiado ao PSDB, aposta no seu capital político, consolidado ao longo de quatro décadas, para liderar um bloco que desafia a hegemonia do PT no Estado.
Entretanto, embora tenha trunfos importantes, o projeto dele e dos aliados encontra obstáculos que ainda encontram bloqueios e resistência para chegar organizado ao segundo semestre, quando ocorrem as principais definições do pleito.
O capital político de Ciro: visibilidade e recall
Ciro traz para o jogo eleitoral uma marca importante. É o nome mais conhecido da oposição cearense. Mesmo sem mandato, segue como voz ativa no debate nacional e, agora, assume o papel de reconstrução do PSDB no Ceará, sigla à qual se filiou recentemente para viabilizar sua articulação política.
Além disso, conta com o apoio de figuras como o ex-prefeito de Fortaleza Roberto Cláudio e o deputado Capitão Wagner (União Brasil), nomes também presentes no noticiário político e nas urnas do Ceará na última década.
União Brasil em disputa e federação à deriva
Mas a solidez do bloco oposicionista não é linear. Ao contrário. Um dos principais entraves está no controle do União Brasil no Ceará, partido que integra a federação com o Progressistas, a chamada União Progressista. O conglomerado tem integrantes assíduos na oposição, mas uma forte bancada governista, formando um cabo de guerra para a definição do apoio eleitoral no Ceará.
Nesse jogo, alguém será enganado. E a decisão nacional sobre o Ceará, além de simbólica, terá um peso político considerável. O projeto que atrair a federação fatalmente terá o maior tempo de televisão e rádio para expor propostas na campanha.
Ciro diz confiar no presidente nacional do União, Antônio de Rueda, mas sabe que, sem controle local, a federação pode ser absorvida pela base governamental.
A instabilidade da federação é um dos pontos sensíveis da costura eleitoral.
A turbulência com o PL e o veto bolsonarista
Outro impasse veio do campo bolsonarista. Após gestos públicos de aproximação com lideranças como o deputado federal André Fernandes, o ex-ministro foi surpreendido por uma ocorrência dura da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que, na passagem pelo Ceará, desautorizou qualquer diálogo com Ciro e cravou apoio à pré-candidatura de Eduardo Girão (Novo).
A declaração esfriou as conversas com o PL, liderada no Estado por André Fernandes, embora haja expectativa de retomada mais futura.
Diálogo com Girão: união ou confronto?
A disputa no campo conservador ganhou um novo capítulo com o avanço do nome de Eduardo Girão, que foi lançado pré-candidato ao governo. Mesmo adversário histórico, Ciro fez sinalizações de que está disposto a dialogar com o senador em nome da formação de uma unidade, mas não há sinais de que ela esteja próxima.
O desafio, porém, vai além do convencimento político: há divergências ideológicas profundas entre os dois, tanto no estilo quanto no discurso, e o sucesso dessa aproximação dependerá de concessões de ambos os lados.
Por agora, o gesto serve para manter aberta a narrativa de que Ciro está disposto ao diálogo e ao pragmatismo político.
Desfecho em aberto
Ciro Gomes tem capital político, experiência e visibilidade. Mas está diante de uma solução complexa, uma série de fatores, inclusive nacionais, que vão exigir habilidade e uma pitada de sorte nas convergências.
Asa Branca News via DN





