Selic em 15%: o que está por trás da maior taxa de juros em duas décadas


Nesta quarta-feira (30), o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu manter a taxa Selic em 15% ao ano, sinalizando uma pausa no ciclo de aperto monetário que começou em setembro de 2024.

O que é a Selic e por que ela importa tanto

A taxa Selic é a taxa básica de juros da economia. Ela influencia todas as demais taxas praticadas no Brasil: do financiamento da casa própria ao rotativo do cartão de crédito, dos empréstimos bancários à rentabilidade da poupança. Em outras palavras, ela afeta diretamente o bolso de milhões de brasileiros.

O principal objetivo da Selic é o controle da inflação. Quando os preços começam a subir de forma descontrolada, o Banco Central reage aumentando os juros. Com crédito mais caro e consumo mais difícil, a demanda desacelera — e, com ela, a inflação. Trata-se de um freio deliberado na economia.

 

Mas esse freio tem um custo. Juros altos também encarecem o crédito, travam investimentos produtivos e esfriam a geração de empregos. É uma medida que precisa ser usada com precisão cirúrgica: necessária para proteger a moeda, mas perigosa quando aplicada por tempo demais.

O Banco Central justificou a manutenção da taxa em 15% com base na necessidade de consolidar os efeitos dos aumentos anteriores. A inflação brasileira ainda apresenta núcleos persistentes, especialmente em setores como serviços e alimentos, pressionados também por fatores climáticos e incertezas externas.

Além disso, a recente deterioração fiscal, somada ao aumento das tarifas comerciais com os Estados Unidos, acendeu alertas no mercado. Em um ambiente de credibilidade frágil, a autoridade monetária prefere sinalizar firmeza para manter as expectativas ancoradas.

Ainda assim, a própria ata do Copom sugere que este pode ser o início de um período de estabilidade — com possível início de corte nos juros apenas em 2026, caso as condições permitam.

E o que o cidadão comum tem a ver com isso?

Muito mais do que imagina. Um país com juros de 15% ao ano é um país onde a dívida cresce rápido e o crédito some. Famílias endividadas enfrentam juros impagáveis no cartão e no cheque especial. Pequenos negócios adiam projetos. O consumo retrai. E a desigualdade se aprofunda.

Por outro lado, quem tem alguma reserva financeira pode — e deve — aprender a investir com inteligência. A renda fixa hoje oferece retornos superiores a 1% ao mês, o que pode ser um grande aliado na construção de patrimônio e proteção do poder de compra.

A Selic em 15% escancara o abismo entre quem paga juros e quem recebe. E essa diferença, na maioria das vezes, está no nível de conhecimento financeiro de cada um. Não é privilégio. É educação.

O Brasil precisa olhar além da taxa

Mais do que números, a decisão do Copom convida a uma reflexão maior: como construir um país que não dependa apenas de juros altos para controlar a inflação? Como garantir responsabilidade fiscal com inclusão produtiva? Como transformar educação financeira em política pública?

 

Enquanto essas respostas não vêm, cada brasileiro precisará fazer suas próprias escolhas. Algumas dolorosas, outras estratégicas. Mas todas urgentes.

 

Em um cenário de juros altos e incertezas, o conhecimento continua sendo o melhor investimento.

Alberto Pompeu
Educador financeiro e colunista do Diário do Nordeste


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