O dia hoje se inaugura com a esperança de chuva no Ceará. É que começa a estação chuvosa, que neste ano tem um cenário diferente dos anteriores. Pela primeira vez, após seis anos de seca, a previsão apontada pela Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) é de 40% de chances de precipitações acima da média. Algo fundamental depois dos anos de crise hídrica, que deixaram açudes com 6,7% da capacidade total de abastecimento do Estado. Nessa dialética, o dia de hoje chega como um nublado, entre a cautela pela seca e a espera pela água.

As chuvas que acontecem em dezembro e janeiro são chamadas chuvas de pré-estação. Conforme dados preliminares do calendário das chuvas da Funceme, o volume observado nesses meses foi respectivamente de 14,2 milímetros (mm) em dezembro e 75,7mm em janeiro.  

“Os principais sistemas meteorológicos que atuam na pré-estação são os Vórtices Ciclônicos de Ar Superior, que, dependendo do funcionamento, podem favorecer ou prejudicar as chuvas no Estado”, explicou o meteorologista David Ferran.

 De acordo com ele, ainda não é possível fazer uma avaliação das chuvas nesses dois meses, já que a atualização dos registros ainda pode alterar os dados.  

Ainda assim, o volume dos açudes no final deste mês (6,7%) já é um pouco melhor que no mesmo período do ano passado, quando a recarga apontava 6,2% após as chuvas da pré-estação. 

Conforme David Ferran, a previsão da quadra chuvosa — que vai de fevereiro a maio — se baseia principalmente na temperatura dos oceanos. As chuvas nesse período são influenciadas pela presença da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT). “As melhores condições são uma La Niña no Pacífico e um dipolo negativo no Atlântico”, explica. La Niña se refere à diminuição da temperatura das águas do Oceano Pacífico Tropical; dipolo negativo acontece quando as águas do Atlântico Tropical Norte estão mais frias que as do Atlântico Tropical Sul.  

Conforme prognóstico divulgado no último dia 22, as chances são de 40% de chuvas acima, 35% em torno e 25% abaixo do normal. Mesmo assim, a peleja é grande. Diante da baixa recarga no Ceará, do Castanhão à mingua com somente 2,26% da capacidade e da imprevisibilidade na entrega da transposição do Rio São Francisco — que só deve garantir segurança hídrica em 2019 —, o cearense precisa que este prognóstico positivo se concretize. Outra preocupação apontada na previsão é a sinalização de um El Niño ainda durante a quadra, o que pode ocasionar a redução de chuvas.  

Por meio de nota, a Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos do Ceará (Cogerh) informou que as chuvas de pré-estação são importantes para saturar o solo. Isto porque as primeiras precipitações são normalmente absorvidas pelo chão seco.  

“O mais normal é que os aportes aconteçam nos meses de março e abril. Essas chuvas devem ser concentradas nas cabeceiras dos rios, onde estão situados os 155 açudes monitorados pela Cogerh”. O órgão alerta que as chuvas não significam necessariamente aporte, e que a economia de água precisa continuar. Até ontem, dos reservatórios observados pela Cogerh, 126 estão com volume abaixo de 30%, sendo 73 com volume morto ou seco. O único com recarga acima dos 90% é o açude Germinal, em Palmácia. No local, o que se vê é um espelho d’água quase atravessando a barragem.  

 

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FONTE: O POVO

 

 

 

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